19.1.06

Fênix: Renascendo das Cinzas

A Fênix, segundo o que relataram Heródoto ou Plutarco, é um pássaro mítico, de origem etíope, de um esplendor sem igual, dotado de extraordinária longevidade, e que tem o poder, depois de se consumir em uma fogueira, de renascer de sua cinzas. Quando se aproxima a hora de sua morte, ele constrói um ninho de vergônteas perfumadas onde, no seu próprio calor, se queima. Há variações que acrescentam que, além do renascer, essa ave tinha a capacidade de pressentir o cheiro de um fim, e ia ao seu encontro, jogando-se contra o fogo para que se cumprisse o seu destino.
E humanamente, como chamamos quem renasce de si? Ou melhor, será que nós, pobres mortais temos tal força? Será que temos força para pressentir o cheiro de um fim e mesmo assim nos lançar mortalmente ao encontro deste com bravura, dor, coragem, medo, tristeza, lamento, altivez, tontura, com toda nossa bagagem, ao encontro do que nos espera, porque sabemos que do inevitável não se pode fugir?
Será que temos força para sobreviver para ensinar aos outros que é possível renascer?
Será que temos força para expor nossas dores, nossos medos, nossos temores, com naturalidade e sabedoria, porque é assim que tem que ser ? E assim que é o correto?
E a fênix pousou sobre meu consciente no meio desta quinta-feira.
É que nesse mundo, minha atividade mais constante é o de observar. Do que vejo e sinto, procuro escrever.
Vivo na pele que é difícil viver esse estado que se adquire, a te ter de sobreviver às dificuldades que aparecem, aos desafios que se apresentam, ao medo do futuro e a dificuldade que é renascer da morte dos próprios sonhos.
Mas sei que é possível. Renascer como fênix. Concentrar forças em torno de si, enfretar o futuro com todas as suas dificuldades e vencer.
Nessa hora a fábula e a vida real estão dançando juntas. A primeira é a mestra, a segunda a aluna.
Assim como a ave mitológica que tenta ensinar a recolher o pó da combustão de nossas substâncias essenciais porque será dele que virá a nova vida, precisamos ir ao nosso encontro.
Precisamos virar a esquina do pesadelo com a consciência clara de que de nossas cinzas faremos nova vida e novos sonhos. Renasceremos das próprias dores e do próprio fim. Mas não fugiremos dos problemas, mesmo que isso resulte em estar no fundo do poço. Por que assim como a fênix, ao renascer, renasce sempre melhor e mais belo.

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