14.2.05

O Caminhão Estaciona, a Vida Segue

A princípio achei que não era nada demais sabe?
A primeira vez que vi aquele carro foi num sábado. Mal sabia eu que passaria a vê-lo muitos outros sábados depois.
Bem, foi num sábado a noite. O carro não ficou muito tempo estacionado atrás de mim. Foi o tempo da menina entrar nele. Ela estava tão linda....
Ah! tinha apenas um menino dentro do carro, mas não consegui ver quem era, pois os vidros eram pretos.
A menina é linda, eu a conheço a um bom tempo. Trabalha, rala, cuida da família, é responsável e tem uma pinta no joelho.
Nas primeira vezes confesso que fiquei preocupado. O que levava aquele carro a voltar todo fim de semana? E eu não conseguia enxergar o menino. Acho que o nome dele é doce. Afinal a menina sempre se referia a ele com esse nome.
Fiquei mais preocupado ainda quando as visitas tornaram-se mais frequentes, bem como o tempo de permanência dos dois dentro do carro. Mas eu, mesmo eles não sabendo, estava-os protegendo contra motoboys, fuscas desgovernados, insetos mortíferos e tudo o mais que poderia tirá-los do sussego.
Já não era mais sábado, não existia dia fixo. Parece que a vontade dos dois de se verem aumentava a cada dia. Para eles aquele carro era tudo! Dizem até que sobreviveram à tempestade do fim do mundo dentro dele. Eu só observava. É visível a felicidade dos dois, parace quem um foi feito para o outro. A menina bate no ombro dele. Ele a beija como se tivesse achado um tesouro. Ele vai, ele volta, eles entram e eles saem.
Um dia resolvi testá-lo, ver sua real motivação. Fiquei mais a frente de onde costumava ficar para ver se ele errava o caminho. Ele errou!
Mas deu marcha ré e voltou ao mesmo ponto onde realmente está sendo feliz. O olhar dele é um olhar de quem acredita de novo. E ela sabe enfeitar aquele carro como ninguém.
Hoje minhas desconfianças acabaram, são coisas do passado. Apenas observo o casal apaixonado. Torço para aquele carro voltar para que faça a minha menina mais e mais feliz.
Já me bate o desespero saber que posso não vê-los mais atrás de mim.

Um comentário:

  1. E ai Jr, viajei nesse texto. Tem alguma conotação real? E mesmo assim, parabens pelo seu blog.

    ResponderExcluir